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Ford concluiu mais uma etapa importante na construção
de seu novo complexo industrial em Camaçari, na Bahia,
com a inauguração, este mês, da primeira
fase das estações ecológicas de tratamento
de esgoto que irão operar no local. Utilizando a tecnologia
conhecida como “wetlands” (terras úmidas),
esse sistema purifica a água por um meio natural e
permite que ela seja reutilizada na irrigação
de jardins na própria fábrica, de forma auto-sustentável.
A Ford é a primeira montadora a adotar esse tipo de
solução no Brasil.
O projeto ambiental do complexo foi totalmente planejado para
garantir a mais ampla conservação ambiental.
Dentro desse objetivo todo esgoto gerado no Complexo Industrial
Ford Nordeste será tratado dessa forma, no local, sem
a necessidade de utilização dos serviços
da rede pública. No total serão três estações
com capacidade para atender uma população superior
a 5.000 pessoas.
“O conceito principal aplicado na construção
do Complexo Industrial Ford Nordeste é retornar à
natureza o que se usa e garantir a sustentabilidade dos recursos
ambientais”, diz Eduardo Fajardo, gerente da Ford Land,
responsável pela área de obras e instalações.
O projeto da Ford, entre outras características de
conservação, inclui também a recuperação
de uma área de cerca de cinco milhões de metros
quadrados em torno da fábrica, com espécies
nativas da Mata Atlântica, em um trabalho desenvolvido
em conjunto com a Universidade Federal da Bahia e o Governo
do Estado da Bahia.
Sistema “wetlands”
"Na área de tratamento de esgoto, as principais
vantagens do sistema 'wetlands', além do baixo custo
de implantação, inclusive no serviço
público, é a sua alta eficiência. Ele
elimina mau cheiro, insetos e riscos de contaminação,
a tal ponto que permite a produção de biomassa
(arroz) e fertilizantes.”, afirma Eduardo Fajardo.
O sistema “wetlands” é uma tecnologia que
reproduz os princípios básicos de modificação
da qualidade da água existentes em ecossistemas naturais
que ficam parcial ou totalmente inundados durante o ano. Nesse
caso incluem-se, por exemplo, as várzeas dos rios,
os igapós na Amazônia, os banhados, os pântanos,
manguezais e áreas com lençol freático
muito alto.
Na primeira etapa do processo, o material sólido do
esgoto é separado e encaminhado a uma área de
compostagem, onde é misturado a outras matérias
orgânicas para a produção de adubo. A
água restante passa por um sistema de filtros naturais,
formado por camadas de brita, pedrisco e solo, e vai para
duas piscinas, contendo plantações de taboa,
aguapé e arroz.
Cada espécie vegetal cumpre uma função
nesse sistema. A aguapé, planta aquática flutuante,
é utilizada por sua capacidade de resistir a águas
altamente poluídas, com grandes variações
de nutrientes, pH, substâncias tóxicas, metais
pesados e variações de temperatura. Além
de absorver partículas, nutrientes e metais, suas raízes
favorecem o transporte de oxigênio e permitem o desenvolvimento
de microorganismos.
A taboa é uma planta aquática emergente, que
se desenvolve com a raiz presa ao sedimento e o caule e folhas
parcialmente submersos. Suas raízes permitem a oxidação
dos sedimentos, criando condições para a decomposição
de matéria orgânica e o crescimento de bactérias
nitrificadoras. Já o arroz, além de retirar
nutrientes, mantém a permeabilidade do solo com seu
sistema radicular. Essa ação biológica
completa a filtragem mecânica e físico-química
realizada pelo solo. A água pode, então, ser
reutilizada.
(27/07/2001)
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