Brasil, 20 de Novembro 2008
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6/7/2004 - Camaçari Estação de Esgoto

FÁBRICA DA FORD EM CAMAÇARI TEM ESTAÇÃO
ECOLÓGICA DE TRATAMENTO DE ESGOTO

A Ford concluiu mais uma etapa importante na construção de seu novo complexo industrial em Camaçari, na Bahia, com a inauguração, este mês, da primeira fase das estações ecológicas de tratamento de esgoto que irão operar no local. Utilizando a tecnologia conhecida como “wetlands” (terras úmidas), esse sistema purifica a água por um meio natural e permite que ela seja reutilizada na irrigação de jardins na própria fábrica, de forma auto-sustentável. A Ford é a primeira montadora a adotar esse tipo de solução no Brasil.

O projeto ambiental do complexo foi totalmente planejado para garantir a mais ampla conservação ambiental. Dentro desse objetivo todo esgoto gerado no Complexo Industrial Ford Nordeste será tratado dessa forma, no local, sem a necessidade de utilização dos serviços da rede pública. No total serão três estações com capacidade para atender uma população superior a 5.000 pessoas.

“O conceito principal aplicado na construção do Complexo Industrial Ford Nordeste é retornar à natureza o que se usa e garantir a sustentabilidade dos recursos ambientais”, diz Eduardo Fajardo, gerente da Ford Land, responsável pela área de obras e instalações. O projeto da Ford, entre outras características de conservação, inclui também a recuperação de uma área de cerca de cinco milhões de metros quadrados em torno da fábrica, com espécies nativas da Mata Atlântica, em um trabalho desenvolvido em conjunto com a Universidade Federal da Bahia e o Governo do Estado da Bahia.

Sistema “wetlands”
"Na área de tratamento de esgoto, as principais vantagens do sistema 'wetlands', além do baixo custo de implantação, inclusive no serviço público, é a sua alta eficiência. Ele elimina mau cheiro, insetos e riscos de contaminação, a tal ponto que permite a produção de biomassa (arroz) e fertilizantes.”, afirma Eduardo Fajardo.

O sistema “wetlands” é uma tecnologia que reproduz os princípios básicos de modificação da qualidade da água existentes em ecossistemas naturais que ficam parcial ou totalmente inundados durante o ano. Nesse caso incluem-se, por exemplo, as várzeas dos rios, os igapós na Amazônia, os banhados, os pântanos, manguezais e áreas com lençol freático muito alto.

Na primeira etapa do processo, o material sólido do esgoto é separado e encaminhado a uma área de compostagem, onde é misturado a outras matérias orgânicas para a produção de adubo. A água restante passa por um sistema de filtros naturais, formado por camadas de brita, pedrisco e solo, e vai para duas piscinas, contendo plantações de taboa, aguapé e arroz.

Cada espécie vegetal cumpre uma função nesse sistema. A aguapé, planta aquática flutuante, é utilizada por sua capacidade de resistir a águas altamente poluídas, com grandes variações de nutrientes, pH, substâncias tóxicas, metais pesados e variações de temperatura. Além de absorver partículas, nutrientes e metais, suas raízes favorecem o transporte de oxigênio e permitem o desenvolvimento de microorganismos.

A taboa é uma planta aquática emergente, que se desenvolve com a raiz presa ao sedimento e o caule e folhas parcialmente submersos. Suas raízes permitem a oxidação dos sedimentos, criando condições para a decomposição de matéria orgânica e o crescimento de bactérias nitrificadoras. Já o arroz, além de retirar nutrientes, mantém a permeabilidade do solo com seu sistema radicular. Essa ação biológica completa a filtragem mecânica e físico-química realizada pelo solo. A água pode, então, ser reutilizada.

(27/07/2001)