Agência EcoInforme – As oficinas chamadas “boca de porco” (aquelas com óleo no chão, graxa na parede, parafusos e molas jogadas, pedaços de estopa imunda esquecidas em balcões sebosos, marmitas semi-abertas e frias pelos cantos) estão cada vez mais por fora. Já as oficinas que respeitam o meio ambiente e atendem as exigências legais são lucrativas e atraem os consumidores.
Esse foi o recado dos especialistas que participaram do ‘Seminário Empresas de Reparação Automotiva e o Meio Ambiente’, realizado pelo IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), na Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, em Santo André, SP.
O encontro foi marcado pela entrega dos primeiros certificados com foco ambiental, o chamado Selo Verde. As empresas Century Car, Marques e Marques, Caçula de Pneus e Mecânica do Gato, que integraram o projeto piloto para Certificação Ambiental implementado pelo IQA e pelo CESVI BRASIL receberam os primeiros ceritificados na área. O Selo Verde, lançado no começo deste ano pelas duas entidades, atesta que as oficinas reparadoras possuem políticas ambientais corretas e estão devidamente adequadas à legislação vigente.
LIMPEZA SIM, LIXO NÃO -- “É notável como a reparação automobilística vem se preocupando com as questões ambientais”, disse Luís Antonio Carone, sócio-diretor da Shop Training, empresa de treinamento e consultoria empresarial, professor de pós-graduação do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana). Ele é instrutor do IQA, e durante o evento ministrou a palestra ‘Separação de Resíduos e Aspectos Ambientais – Foco na Reparação Automotiva’. Atualmente, outras 15 oficinas já estão em processo de Certificação Ambiental pelo IQA e pelo CESVI BRASIL.
Carone ressaltou a importância da destinação correta de cada tipo de resíduo e de se desenvolver a cultura de reciclagem e descarte adequado dentro das oficinas. “Hoje não temos mais lixo, temos descarte, o que é muito diferente”, disse.
O instrutor mostrou ainda que alguns materiais descartáveis podem gerar lucros. “Enquanto o empresário ganha com a venda de papelão, lataria e baterias, este dinheiro pode ser revertido para o descarte de outros resíduos sem valor comercial, que necessitam ser recolhidos por empresas especializadas, que cobram pelo serviço. Desta forma, não se perde dinheiro e investe-se em melhorias”, explicou.
Além disso, ele apontou que outros materiais, como thinner/borra, partículas de lixamento e rebarbas, borracha, fios e cabos, baterias automotivas, gás refrigerante, água de lavagem, papel usado em pintura, plásticos de escritório, adesivos, aço/lataria e óleo devem ter destino final adequado para não agredir o meio ambiente.
“Se o descarte destes materiais for inadequado, as oficinas podem ser autuadas e correm o risco de serem fechadas”, acrescentou. O professor também comentou que algumas estratégias de conscientização, comprometimento e investimento em melhorias garantem retorno financeiro e marketing positivo para as empresas.
Algumas ações simples podem ser implementadas pelas oficinas para gerar lucros e beneficiar o meio ambiente. Por exemplo, adotar o uso de telhas transparentes para aproveitar a luz do sol e economizar energia elétrica, garantir ordem e limpeza no local de trabalho e evitar o retrabalho, gerando produtividade sem desperdícios.
CERTIFICAÇÃO E DINHEIRO EM CAIXA -- José Palacio, auditor do IQA, que ministrou a palestra ‘Certificação Ambiental para empresas de reparação automobilística, destacou que alguns procedimentos ecologicamente corretos propiciam economia de recursos.
Citou o uso de sensores de presença, energia solar, reciclagem de solventes, resíduos reaproveitáveis e produtos que podem ser recuperados. “Hoje temos tecnologias que ajudam no descarte e reaproveitamento correto de todo tipo de resíduo”, disse.
Destacou a importância de estar de acordo com as leis, resoluções e normas específicas. “As empresas que não agirem rápido podem ter problemas futuros, pois até os clientes estão mais exigentes.” O papel do IQA é levar para o reparador, na forma da certificação, as ferramentas que ele precisa para estar de acordo com todas as leis e obrigatoriedades. “A certificação é um reconhecimento público, que ajuda evitar multas e agrega valores comerciais nos processos de reparação. Além disso, concede à empresa uma visão positiva perante o mercado”, acrescentou.
Palacio disse também que o direito ao uso promocional do Selo Verde IQA-CESVI é um poderoso diferencial de marketing para redes independentes ou de concessionárias.