Brasil, 8 de Setembro 2010
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26/1/2010 - EUA recuperam equilíbrio ecológico com lobos

Dezenas de turistas se concentram no alto de um morro, numa região inóspita dos Estados Unidos, para assistirem ao ataque de uma alcatéia de lobos contra um cervo canadense, que é mordido, derrubado e devorado pelos carnívoros. A cena, cada vez mais comum em Yellowstone, o maior parque e reserva natural dos EUA, marca a vitória de um custoso programa de recuperação de um animal quase extinto.

Durante 70 anos não houve lobos no parque, tão grande, que se espalha por três Estados norte-americanos, Idaho, Montana e Wyoming. Os lobos foram caçados pelos primeiros fazendeiros e o governo estadunidense chegou a premiar com uma importância em dólares quem apresentasse uma pele de lobo abatido e em 1890 os lobos estavam quase extintos nos Estados Unidos.

O resultado é que os coiotes começaram a proliferar no parque, enquanto os cervos se multiplicaram de forma descontrolada, desenvolvendo-se inclusive animais defeituosos, que anteriormente eram eliminados pelos lobos, por serem presas mais fáceis.

O mesmo processo aconteceu com os bisões americanos, cuja extinção foi determinada pelas companhias ferroviárias, que pagavam a caçadores como Búffalo Bill para eliminar os animais, cuja pele era valiosa. Num único dia, Bill matou 69 búfalos e seu recorde foi 4.280 num mês.

A população de lobos foi recuperada a partir de 1995, quando 41 animais foram trazidos, em duas levas, de Alberta, no Canadá, e reintroduzidos na natureza onde, apesar de muitos morrerem, alguns formaram alcatéias que hoje tem como território de caça uma área correspondente a duas vezes o Estado de Nova York. Como consequência, os ursos pardos aumentaram de número, pois como “ladrões de carcaça” que são, se alimentam dos restos das presas dos lobos, as manadas de cervos se reduziram às proporções tradicionais e o número de coiotes voltou ao normal.

Quanto aos búfalos, foi o presidente Roosevelt que resolveu salvá-los em 1890, criando a primeira reserva para os grandes animais. Um índio, “Coiote Errante”, também ajudou, pegando a laço oito búfalos, com os quais começou uma criação, que resultou em dois imensos rebanhos no Estado de Montana. A pedido de sua esposa, o coronel Charles Goodnight também atraiu búfalos para um santuário na fazenda, e hoje há manadas até mesmo no Alasca e dezenas de fazendas criam o búfalo para fins de abate, o que torna a rica carne desse animal disponível em dezenas de restaurantes.

A salvação do búfalo e do lobo da extinção é um exemplo para o Brasil, onde a criação em cativeiro já salvou a ema, o jacaré-do-pantanal, o cervo-do-mangue, o mico-leão-dourado e várias espécies de papagaios, mas onde pouco se fez em benefício do lobo-guará, da onça-pintada e da suçuarana.

Luiz Roberto de Souza Queiroz e Táta Gago Coutinho, dos EUA especial para o ECOinforme