Uma nova espécie de planta foi descrita nas montanhas do Espírito Santo com apoio da Reserva Ambiental Águia Branca. Batizada de Philodendron quartziticola, a planta pertence à família Araceae — a mesma da taioba e do antúrio — e foi registrada em áreas raras associadas a solos quartzíticos da região serrana capixaba. A pesquisa contou com participação de instituições como o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com publicação na revista científica neozelandesa Phytotaxa.
Apesar de pertencer à família Araceae, que inclui espécies alimentícias como a taioba (geralmente associada à Xanthosoma sagittifolium), o gênero Philodendron não é considerado comestível.
Espécies de Philodendron possuem cristais de oxalato de cálcio em seus tecidos, substância que pode provocar ardência intensa, irritação na boca, inchaço da língua e desconforto na garganta caso seja mastigada ou ingerida. Por isso, não há indicação de uso alimentar da nova espécie descrita, Philodendron quartziticola.
O novo filodendro apresenta folhas longas e estreitas e características reprodutivas específicas que permitiram diferenciá-lo de espécies semelhantes. A planta pode crescer tanto no solo quanto como trepadeira e está associada a ambientes conhecidos como “Morros de Sal”, formações de solo arenoso rico em quartzo, consideradas raras e vulneráveis. O estudo também identificou interações ecológicas importantes, como a polinização por besouros do gênero Cyclocephala.
Devido à distribuição restrita e às ameaças ambientais, como mineração e expansão de estradas, o Philodendron quartziticola foi classificado como “Em Perigo” de extinção. A descoberta reforça a importância científica e ecológica das montanhas capixabas e evidencia o papel das áreas protegidas no avanço do conhecimento e na conservação da biodiversidade da Mata Atlântica.





