
O Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da ONU, graças a políticas públicas do governo Lula que colocaram comida no centro da agenda social, como transferência de renda, merenda escolar, agricultura familiar e comida saudável nas cidades.
Trata-se de um marco histórico. A chamada receita brasileira virou exemplo global. Segundo a FAO, os principais ingredientes dessa virada foram:
-Reforço ao Bolsa Família;
-Alimentação escolar com produtos da agricultura familiar;
-Aumento do salário mínimo;
-Compras públicas de pequenos produtores;
-Apoio à produção agroecológica;
-Programas voltados a populações negras e indígenas;
-Legislação que garante o direito humano à alimentação;
-E uma articulação inédita entre ministérios, governos locais e sociedade civil.
A presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Elisabetta Recine, disse que a conquista vai além dos números. “Com o Brasil liderando a COP30, a mensagem é clara: enfrentar a fome, a desigualdade e as mudanças climáticas andam juntos”, afirma. Mas ela também alerta: “A luta ainda não acabou. Os preços dos alimentos estão subindo e ameaças tarifárias estão surgindo. Precisamos manter o rumo, porque o custo da inação é medido em vidas.”
O percentual de pessoas desnutridas no Brasil caiu para menos de 2,5% — o que tira o país da zona de notificação no mapa global. Entre 2020 e 2022, essa taxa era de 4,2%. A insegurança alimentar grave, que atinge quem passa um dia ou mais sem comer, caiu de 21,1 milhões para 7,1 milhões de pessoas no mesmo período. (Dados da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).
“O sucesso incrível do Brasil mostra que ninguém precisa passar fome – a fome é uma escolha”, disse Raj Patel, especialista do painel IPES-Food. “Investir em agricultores familiares e programas públicos funciona. Já sabemos disso. O que falta é decisão política.”
A proporção da população incapaz de pagar por uma dieta saudável também recuou: de quase 30% em 2021 para 23,7% em 2024.
Para Maria Siqueira, codiretora do Pacto Contra a Fome, o desafio agora é garantir que ninguém fique invisível: “Direito à alimentação não é só ter o que comer. É garantir acesso a comida de qualidade, que previna tanto a fome quanto doenças crônicas, como a obesidade.”




