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O que acontece com um carro quando ele deixa de ter condições de voltar às ruas? Em vez de terminar como sucata, partes desse veículo podem seguir caminhos diferentes: algumas peças são reaproveitadas, enquanto materiais como aço, alumínio, plástico e cobre podem retornar à cadeia de reciclagem.

Essa é a lógica por trás da Circular Autopeças, centro de desmontagem veicular instalado em Osasco, na Grande São Paulo, que completou um ano de operação. A unidade trabalha com veículos que chegaram ao fim de sua vida útil e realiza a separação dos componentes de acordo com as condições de reaproveitamento e reciclagem.

Durante o evento que marcou o primeiro ano da operação, jornalistas puderam acompanhar o processo e participar da desmontagem de um veículo. Na prática, o trabalho revela a quantidade de materiais diferentes que existe dentro de um automóvel e que pode ser recuperada antes que o carro seja destinado à sucata.

Antes da desmontagem, o veículo passa por procedimentos para retirada de fluidos e outros materiais que precisam de destinação adequada. Depois, as peças são retiradas e avaliadas. Componentes que ainda podem ser utilizados são destinados ao mercado de reposição, enquanto materiais sem possibilidade de reutilização seguem para reciclagem.

Segundo dados divulgados pela empresa, até junho deste ano foram desmontados mil veículos e mais de 740 toneladas de materiais foram encaminhadas para reciclagem. Mais de 8 mil peças também foram comercializadas para reutilização.

O processo chama atenção para um dos desafios ambientais da indústria automotiva: dar destino aos veículos que deixam de circular. Um automóvel reúne uma grande variedade de materiais e, quando eles são corretamente separados, parte desses recursos pode voltar à produção de novos bens.

A proposta se encaixa no conceito de economia circular, que busca reduzir o descarte e manter produtos, peças e matérias-primas em uso pelo maior tempo possível. No caso dos veículos, isso significa olhar para o fim da vida útil não apenas como descarte, mas como uma nova etapa do ciclo dos materiais.

No fim, o carro pode até deixar de existir como veículo. Mas aço, plástico, cobre, alumínio e peças ainda funcionais podem continuar circulando — em outros carros ou em novos produtos.

Larissa Silva