Obra do jornalista Sergio Quintanilha analisa como a indústria, a publicidade e a sociedade ajudaram a transformar o carro em objeto de desejo

O automóvel pode ser um meio de transporte, mas também representa status, liberdade, conquista e identidade. É essa relação entre consumo e desejo que o jornalista Sergio Quintanilha investiga em seu novo livro, “A Máquina do Desejo: Por que Compramos Carros que Não Precisamos e Como o Automóvel Moldou Nossa Mente”.

Doutor em Ciências da Comunicação pela USP e editor do Guia do Carro, Quintanilha transforma sua tese de doutorado em uma obra de linguagem mais acessível. O trabalho reúne seis anos de pesquisa, atualizados posteriormente por mais dois anos, para discutir como o automóvel passou de uma simples ferramenta de locomoção a um dos principais símbolos da sociedade de consumo.

A discussão ganha relevância em um momento de mudanças no setor. A expansão dos carros elétricos, dos aplicativos de mobilidade e dos serviços de compartilhamento começa a alterar a relação das pessoas com a propriedade de um veículo. Ao mesmo tempo, a indústria continua utilizando tecnologia, design e comunicação para estimular o desejo por novos modelos.

O livro também coloca em discussão os impactos desse comportamento em um cenário de transição para uma mobilidade mais sustentável. Quintanilha atualmente realiza pesquisa de pós-doutorado na USP sobre fatos e falácias na descarbonização da mobilidade sobre rodas, tema que também vem sendo debatido no setor automotivo.

Publicado pela Editora Appris, o livro tem 179 páginas e custa R$ 69. A obra está em pré-venda e começa a ser entregue a partir de 17 de setembro.

Mais do que discutir carros, “A Máquina do Desejo” propõe uma reflexão sobre consumo, comportamento e a forma como nossas escolhas são influenciadas por uma indústria que há décadas aprendeu a transformar necessidade em desejo.