Milhares de baleias e golfinhos morrem por ano emalhados em redes de pesca e petrechos descartados nos oceanos
Desde 1986 a pesca da baleia está proibida em todo o mundo e com exceção de alguns barcos pesqueiros, que insistem em desrespeitar a legislação, esses cetáceos estão oficialmente protegidos. No entanto, mais de 300 mil baleias e golfinhos morrem anualmente devido a captura acidental por equipamentos pesqueiros, ou seja, são alvos não intencionais, vítimas de pesca em rede ou em encalhes em redes e outros apetrechos de pesca deixados no mar pela comunidade pesqueira.
O By Catch, como globalmente é chamada a captura acidental, é tido como a maior ameaça aos mamíferos aquáticos no mundo, sendo que, ainda assim, apenas uma pequena parte das capturas acidentais é registrada.
De toda a captura mundial, 40% é descartada, pois são animais não aproveitados para a indústria pesqueira, entre eles baleias, golfinhos, focas, tartarugas, raias, tubarões, aves marinhas, peixes e invertebrados capturados acidentalmente e descartados. Isso sem contar outras espécies menos conhecidas.
Na pesca de camarão é enorme a captura de espécies de peixes pequenos, antes da idade de reprodução, que ocorrem junto com o arrasto, e que são descartados.
A ONU, através da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) e o Fundo Mundial para o Meio Ambiente executam projeto voltado para a gestão sustentável da pesca e redução de desperdícios de espécies capturadas junto com camarões, projeto denominado Manejo Sustentável da Fauna Acompanhante na Pesca de Arrasto, desenvolvendo tecnologias para mitigar impactos da atividade, mas até hoje o resultado desses projetos não têm apresentado um resultado significativo.
Além das redes ativas, os animais encontram verdadeiras armadilhas no fundo – ou boiando – nos oceanos: cerca de 640 mil toneladas de petrechos de pesca são perdidas no mar todos os anos, as chamadas redes fantasmas, que capturam incalculáveis quantidades de animais.
O emalhe de baleias é visto pelos ambientalistas como uma das mais agressivas formas de mortalidade causada por seres humanos aos animais selvagens. Os animais podem morrer afogados, pois uma vez presos nas redes de pesca ou em linhadas e anzóis que vagam pelos oceanos, não conseguem subir à superfície para respirar. Essa situação provoca também lacerações devido aos cabos pesados que rebocam, infecções, e não raro esses animais presos acidentalmente no mar podem morrer de fome, pois não conseguem se alimentar de forma eficaz.
As baleias são animais que podem ficar por meses sem se alimentar, devido seu comportamento migratório entre áreas de alimentação e áreas de reprodução, são bem fortes e resilientes, mas muitas ficam emalhadas por meses e acabam demorando muito a morrer, resultando em intenso sofrimento.
A comissão dos Oceanos dos Estados Unidos declarou em 2005 o bycatch como a maior ameaça aos mamíferos aquáticos no mundo. Cerca de 640 mil toneladas de petrechos de pesca são perdidas no mar todos os anos.
As redes fantasmas são resultado de abandonos, manejo inadequado ou descarte intencional dos petrechos de pesca nos oceanos. A FAO estima que 640 mil toneladas de redes e outros materiais usados na pesca são abandonados, perdidos ou descartados todos os anos nos oceanos. E que esse material é três vezes mais letal do que outros detritos jogados no mar.
O menor golfinho do mundo, chamado Toninha, é uma das maiores vítimas do By Catch no Brasil. A espécie está criticamente ameaçada de extinção, por causa da captura acidental. O Toninha ocorre somente nas águas do sudeste-sul do Brasil até a região norte da Península Valdes, na Argentina, e se nada for feito deve chegar rapidamente à extinção. Outras 23 espécies de cetáceos também estão ameaçadas pelo By Catch ao redor do mundo.
Uma Ong sediada em Ilhabela, litoral Norte paulista, a Viva Instituto Verde Azul, que mantém um ponto de observação de baleias e outros cetáceos na cidade, em 2018 criou o Dia Internacional “Pare a Captura Acidental”, realizado no dia 1 de dezembro daquele ano e que ocorreu em mais de quatro países, envolvendo cerca de 40 instituições. Teve como objetivo conscientizar especialistas, estudantes, pescadores, órgãos públicos, políticos e a população em geral sobre o grande impacto que os animais marinhos sofrem com a captura acidental.
No Brasil, o evento foi realizado em diversos formato, mesmo durante a pandemia do coronavírus, com palestras, mesas redondas, exposições fotográficas, teatro, atividades lúdicas para crianças, ações em praias e treinamento de desemalhe de baleias.
O problema extrapola fronteiras, tornando-se um desastre ambiental global sem precedente. Ações de apoio são realizadas em vários países e surgem propostas para amenizar o problema, como o projeto de que obriga a colocação de um chip eletrônico em todo petrecho de pesca, de forma que ele possa ser localizado em caso de perda, acidente ou abandono. Mas ainda é pouco diante do impacto que a captura acidental provoca no ambiente marinho. Iniciativas como a da Viva Instituto Verde Azul devem ser louvadas, para que sirvam de exemplo às novas gerações e contribuam para a construção de um mundo mais consciente em relação ao meio ambiente em que vivemos.








