O avanço do El Niño coloca estados e municípios em alerta para possíveis impactos na saúde pública, entre eles o aumento da circulação de arboviroses – doenças causadas por vírus transmitidos por picadas de insetos e carrapatos, entre elas, dengue e chikungunya. Segundo projeções do Info Dengue/Fiocruz citadas pelo Ministério da Saúde, o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. A estimativa é baseada em cenários climáticos e pode ser atualizada conforme novas informações.

O fenômeno pode alterar os padrões de temperatura e chuva no país, criando condições diferentes para a proliferação do Aedes aegypti em determinadas regiões. Em julho, o Ministério da Saúde já havia orientado estados e municípios a reforçarem a vigilância, o controle do mosquito e os bloqueios de transmissão nos primeiros casos identificados. Em setembro, a pasta informou que o El Niño estava em nível forte, com alta probabilidade de atingir intensidade muito forte e permanecer até março de 2027.

Além da vigilância epidemiológica, o cenário exige preparação dos serviços de saúde. A Fiocruz destaca que o El Niño pode modificar padrões de chuva e temperatura e aumentar riscos relacionados a eventos extremos e doenças infecciosas. Para o controle das arboviroses, continuam importantes a eliminação de criadouros do mosquito, o monitoramento dos casos e a procura por atendimento diante de sintomas. O Ministério da Saúde também apresentou aos estados um plano nacional de preparação e resposta para os possíveis impactos do fenômeno entre 2026 e 2027.