O que antes era descartado após a extração do óleo do babaçu agora pode ganhar espaço na indústria global de alimentos. Uma startup brasileira de biotecnologia conseguiu transformar o resíduo do fruto em um ingrediente rico em proteína vegetal, criando uma alternativa sustentável para o mercado plant-based e uma nova oportunidade econômica para comunidades extrativistas da Amazônia.

Desenvolvida pela Bioinfood em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos, a tecnologia utiliza fermentação biológica para elevar em mais de quatro vezes o teor proteico da farinha do mesocarpo do babaçu. O ingrediente já foi testado na produção de hambúrgueres vegetais e apresentado durante a New Meat Brazil 2026, principal evento do setor no país.

O projeto recebeu R$ 2,7 milhões do Fundo JBS pela Amazônia, dentro do programa InovAmazônia, e aposta no aproveitamento integral do babaçu sem necessidade de novos cultivos ou desmatamento.

Além do potencial industrial, a iniciativa pode ampliar a renda de milhares de famílias que vivem do extrativismo do babaçu em estados como Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, especialmente as quebradeiras de coco, mulheres que tradicionalmente atuam na coleta e beneficiamento do fruto.

A BIOINFOOD busca agora parceiros para ampliar a produção em escala piloto e expandir o uso da tecnologia para outros resíduos agroindustriais brasileiros.