Frentes parlamentares e 16 organizações da sociedade civil divulgaram uma nota pública defendendo o fim da exportação de animais vivos para abate por via marítima no Brasil. O documento rebate a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e apoia projetos que buscam proibir a atividade, entre eles o PL 4795/2026. Segundo a nota, o processamento da carne no país poderia gerar até R$ 1,91 bilhão em valor agregado, mais de 7 mil empregos formais e R$ 600 milhões em arrecadação.
As entidades também apontam riscos ambientais e problemas relacionados às condições de transporte. Segundo os dados apresentados, os navios utilizados têm idade média de 39 anos, e o documento cita o naufrágio do Haidar, no Pará, em 2015, como exemplo dos impactos que esse tipo de operação pode causar. A nota ainda sustenta que viagens longas submetem os animais a condições de estresse e que a prática entra em conflito com o artigo 225 da Constituição Federal.
O debate ganhou força após o crescimento das exportações. O Brasil passou de uma média de 335 mil bovinos vivos exportados por ano entre 2014 e 2023 para quase 1 milhão em 2024 e mais de 1 milhão em 2025, segundo os dados reunidos pelas organizações. Países como Nova Zelândia e Reino Unido já proibiram a exportação marítima de animais vivos, enquanto as entidades brasileiras defendem que o país priorize a exportação da carne processada internamente.





