Pesquisadores brasileiros desenvolveram um índice capaz de medir a saúde do solo de manguezais em diferentes estágios de conservação. A ferramenta, chamada Índice de Saúde do Solo (ISS), varia de 0 a 1 e permite avaliar se esses ecossistemas estão degradados, em recuperação ou preservados, ajudando gestores ambientais a definir prioridades de conservação e restauração. O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports.
O índice reúne variáveis físicas, químicas e biológicas que refletem o funcionamento do solo, como teor de carbono orgânico, presença de minerais de ferro e atividades enzimáticas de microrganismos. Esses fatores indicam a capacidade do manguezal de manter processos essenciais, como sequestro de carbono, ciclagem de nutrientes e retenção de contaminantes.
A ferramenta foi aplicada no estuário do Rio Cocó, onde revelou diferenças claras entre áreas preservadas, restauradas e degradadas. Manguezais maduros apresentaram valores próximos do máximo do índice (0,99), enquanto áreas degradadas registraram apenas 0,25. Já regiões restauradas há nove e 13 anos apresentaram valores intermediários, mostrando que a recuperação ocorre de forma gradual ao longo do tempo.
Segundo os pesquisadores, a criação do ISS pode ajudar a traduzir processos ecológicos complexos em uma métrica simples, facilitando a tomada de decisões por gestores públicos e instituições ambientais. A pesquisa foi conduzida na Universidade de São Paulo, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
Os manguezais são considerados ecossistemas estratégicos no combate às mudanças climáticas. Conhecidos como florestas de “carbono azul”, esses ambientes capturam grandes quantidades de dióxido de carbono e armazenam carbono no solo por décadas, além de proteger a costa contra erosão e sustentar atividades pesqueiras.
Apesar de sua importância ambiental, estima-se que entre 30% e 50% dos manguezais do planeta tenham sido perdidos nos últimos 50 anos. O Brasil abriga cerca de 1,4 milhão de hectares desse ecossistema, a segunda maior área do mundo, com um dos maiores trechos contínuos localizado entre os estados do Amapá e do Maranhão.
Para os cientistas, a nova metodologia também poderá ser aplicada em outras regiões do país, contribuindo para mapear a saúde dos manguezais brasileiros e orientar estratégias de recuperação e preservação desses ambientes.





