Os números mais recentes do Ministério da Educação soam como um alerta silencioso: menos de 15% dos jovens entre 10 e 14 anos consideram sustentabilidade e meio ambiente importantes para a vida. Entre os adultos, embora cerca de metade ainda declare grande preocupação, o índice vem caindo nos últimos anos. A indiferença crescente diante de um tema que moldará o próprio futuro dessas gerações revela algo mais profundo do que simples desinteresse, revela distanciamento.

Para quem dedica décadas à educação socioambiental, os dados não surpreendem totalmente, mas entristecem. A sustentabilidade perdeu espaço como valor estruturante em muitas instituições, inclusive escolas. Em meio a currículos pressionados, metas acadêmicas e urgências administrativas, falar de clima, biodiversidade e justiça socioambiental muitas vezes se torna periférico, quase opcional. E aquilo que não é vivido como prioridade dificilmente será sentido como essencial.

Há exceções, é verdade. Existem escolas que incorporam a sustentabilidade como prática cotidiana, integrando gestão, currículo, espaço físico e comunidade. Mas transformar ações pontuais em cultura exige tempo, investimento e coerência. Um comitê isolado não muda mentalidades. Cultura se constrói nas relações, na repetição de valores, na experiência concreta de pertencimento e responsabilidade.

O desafio é ainda maior porque a escola não está isolada do mundo. Ela reflete uma sociedade que também oscila entre preocupação e apatia. Como convencer um jovem de que vale a pena cuidar do planeta quando o próprio entorno parece contradizer essa urgência? Como despertar sentido em meio a crises sucessivas que geram cansaço e descrença?

Talvez a questão central não seja apenas ensinar sobre meio ambiente, mas reconstruir vínculos. Mostrar que sustentabilidade não é um luxo moral, nem um tema distante, mas parte da própria ideia de futuro. Em tempos de emergências climáticas e desigualdades profundas, a escola pode — e talvez precise, assumir um papel mais corajoso: o de formar não apenas profissionais, mas cidadãos capazes de imaginar e construir uma lógica civilizatória mais simples, solidária e responsável.

Se há algo que permanece, apesar dos números, é a convicção de que ainda há tempo. A indignação pode ser o primeiro passo. E a educação, mesmo silenciosa e paciente, continua sendo uma das poucas ferramentas capazes de reacender o cuidado quando ele parece estar se apagando.